Como um projeto executivo compatibilizado em BIM reduziu em 37,5% o custo de materiais de uma obra de saneamento
Um projeto executivo em BIM pode representar a diferença entre uma obra previsível e uma obra marcada por retrabalhos, desperdícios e aumento de custos. Quem trabalha com obras de saneamento sabe que existe uma grande diferença entre um projeto básico e um projeto executivo compatibilizado. O projeto básico é suficiente para processos de licitação e contratação da obra, mas dificilmente apresenta o nível de detalhamento necessário para uma execução eficiente.
É justamente nesse intervalo entre o que foi projetado e o que precisa ser construído que surgem improvisações, conflitos entre disciplinas, atrasos no cronograma e desperdícios de materiais.
Nesse cenário, o BIM (Building Information Modeling) deixa de ser apenas uma ferramenta de modelagem tridimensional e passa a ser um aliado estratégico para integrar disciplinas, antecipar decisões e aumentar a previsibilidade da obra.
Recentemente, a Tecnivolt participou de um projeto que demonstra exatamente como um projeto executivo compatibilizado em BIM pode gerar resultados concretos antes mesmo do início da execução.
Neste artigo, compartilhamos essa experiência e mostramos como a engenharia aplicada contribuiu para reduzir em aproximadamente 37,5% os custos previstos com materiais elétricos, além de minimizar retrabalhos, melhorar a integração entre disciplinas e proporcionar maior segurança para a construtora.
Neste case, mostramos como um projeto executivo em BIM permitiu integrar diferentes disciplinas, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade da execução.
O desafio da construtora
Fomos procurados por uma construtora responsável pela implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).
A obra havia sido contratada com base em um projeto básico e os principais equipamentos do tratamento preliminar já estavam adquiridos.
O sistema era composto por seis canais, equipados com:
- grades mecanizadas;
- peneiras mecanizadas;
- sistema automático de remoção de areia.
À primeira vista, parecia que a etapa de aquisição dos equipamentos estava resolvida.
Entretanto, havia um desafio importante que ainda não tinha sido enfrentado.
Os equipamentos haviam sido fornecidos por fabricantes diferentes.
Cada fabricante possuía sua própria filosofia de operação, lógica de comando, sensores, requisitos específicos para alimentação elétrica, estratégias de automação e formas distintas de acionamento.
Na prática, existiam equipamentos de excelente qualidade, mas ninguém havia definido como todos eles deveriam operar de forma integrada.
Essa situação é muito mais comum do que parece.
Em muitas obras de saneamento, os equipamentos são adquiridos individualmente e somente durante a execução surge a necessidade de integrar sistemas que nunca foram concebidos para trabalhar juntos.
É justamente nesse momento que começam as adaptações em campo, as alterações de última hora e os custos que não estavam previstos no orçamento inicial.

Por que equipamentos de fabricantes diferentes aumentam a complexidade da obra?
Essa é uma realidade frequente em empreendimentos de saneamento.
Cada fabricante desenvolve seus equipamentos com tecnologias próprias, critérios específicos de instalação e diferentes filosofias de operação.
Isso significa que dois equipamentos destinados ao mesmo processo podem exigir soluções completamente distintas para elétrica, automação e instrumentação.
Entre as diferenças mais comuns estão:
- diferentes tensões de alimentação;
- sensores específicos;
- protocolos distintos de comunicação;
- lógicas próprias de acionamento;
- requisitos particulares para intertravamentos;
- estratégias diferentes de supervisão operacional.
Sem uma compatibilização adequada, a integração desses equipamentos costuma ser realizada durante a execução da obra, aumentando significativamente os riscos de retrabalho.
| Situação | Consequência na obra |
| Equipamentos de fabricantes diferentes | Dificuldade de integração |
| Filosofias de operação distintas | Ajustes durante a montagem |
| Sensores incompatíveis | Revisão da automação |
| Infraestrutura elétrica incompleta | Alterações em campo |
| Projetos pouco detalhados | Retrabalho e aumento de custos |
É justamente nesse ponto que a engenharia aplicada passa a exercer um papel decisivo.
O papel da engenharia antes do BIM
Nosso primeiro trabalho não foi desenvolver diagramas elétricos.
Antes disso, foi necessário compreender profundamente o funcionamento de cada equipamento.
Entramos em contato com todos os fabricantes envolvidos, analisamos manuais técnicos, estudamos diagramas, verificamos requisitos de instalação e discutimos a lógica operacional de cada sistema.
Somente após essa etapa foi possível desenvolver uma estratégia única de automação, capaz de integrar todos os equipamentos do tratamento preliminar em uma única filosofia de operação.
O objetivo era garantir que grades mecanizadas, peneiras, transportadores e o sistema de remoção de areia trabalhassem de forma sincronizada, com supervisão centralizada, alarmes, intertravamentos e segurança operacional.
Essa etapa evita um dos maiores problemas encontrados em obras industriais e de saneamento: equipamentos de excelente desempenho funcionando de maneira isolada, sem comunicação entre si e sem uma estratégia operacional integrada.
Além disso, permitiu que toda a infraestrutura elétrica, automação e instrumentação fosse desenvolvida considerando as exigências reais de cada fabricante, reduzindo a necessidade de adaptações futuras.

Por que a compatibilização deve acontecer antes da execução?
Quando a integração entre disciplinas acontece apenas durante a montagem, diversos problemas passam a ser resolvidos diretamente no campo.
Nessa fase, qualquer alteração representa maior consumo de materiais, aumento de mão de obra e impacto no cronograma.
Ao desenvolver um projeto executivo compatibilizado antes do início da obra, é possível:
- reduzir interferências entre disciplinas;
- minimizar retrabalhos;
- melhorar o planejamento da montagem;
- aumentar a produtividade das equipes;
- controlar quantitativos com maior precisão;
- reduzir custos durante a execução.
Em outras palavras, decisões que normalmente seriam tomadas sob pressão na obra passam a ser resolvidas antecipadamente pela engenharia.
Essa mudança de abordagem foi determinante para os resultados obtidos neste projeto.
Como a modelagem BIM transformou o projeto
O desenvolvimento do projeto executivo em BIM começou após a definição da filosofia de operação de todos os equipamentos. Com toda a filosofia de operação definida, iniciamos o desenvolvimento do projeto executivo compatibilizado utilizando BIM.
Muitas pessoas ainda associam o BIM apenas à geração de modelos tridimensionais. Na realidade, seu maior valor está na qualidade das informações que são incorporadas ao projeto.
Ao modelar toda a instalação elétrica da ETE, conseguimos definir previamente:
- localização dos painéis elétricos;
- encaminhamento dos eletrodutos;
- trajetos das eletrocalhas;
- lançamento dos cabos;
- infraestrutura elétrica;
- interferências com estruturas de concreto;
- interferências com tubulações hidráulicas;
- acessibilidade para manutenção;
- espaços necessários para montagem;
- identificação completa dos equipamentos.
Isso permitiu que praticamente todas as decisões fossem tomadas ainda na fase de projeto, e não durante a execução.
Cada conflito resolvido no escritório representa horas de trabalho economizadas em campo.
Mais do que gerar um modelo tridimensional, o BIM proporcionou uma visão integrada de toda a instalação, permitindo que a engenharia avaliasse antecipadamente os impactos de cada decisão e entregasse um projeto muito mais consistente para a construtora.
O BIM como ferramenta de compatibilização entre disciplinas
Uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) reúne diferentes disciplinas que precisam trabalhar de forma integrada.
Entre elas estão:
- estrutura de concreto;
- instalações hidráulicas;
- equipamentos eletromecânicos;
- instalações elétricas;
- automação;
- instrumentação;
- sistemas supervisórios.
Quando cada disciplina é desenvolvida isoladamente, é comum que as interferências sejam identificadas somente durante a execução da obra.
Isso gera alterações em campo, retrabalho e aumento dos custos.
Com o BIM, essas incompatibilidades podem ser identificadas ainda durante o desenvolvimento do projeto executivo.
A compatibilização entre disciplinas permite que todas as equipes trabalhem utilizando uma única base de informações, reduzindo improvisações e aumentando a confiabilidade da execução.
Essa previsibilidade é um dos principais benefícios da modelagem aplicada às obras de saneamento.
A economia apareceu antes mesmo da obra começar
A principal vantagem de um projeto executivo em BIM é permitir que decisões importantes sejam tomadas antes da execução. Durante a modelagem, iniciamos uma revisão completa dos quantitativos de materiais.
Como todos os trajetos estavam definidos com precisão, deixamos de trabalhar com estimativas e passamos a trabalhar com medições reais extraídas diretamente do projeto.
Foi possível:
- otimizar comprimentos de eletrocalhas;
- revisar trechos de eletrodutos;
- reduzir cabos desnecessários;
- eliminar redundâncias de infraestrutura;
- adequar materiais às necessidades reais da instalação.
O resultado chamou bastante atenção.
A estimativa inicial de materiais elétricos girava em torno de R$ 80 mil.
Após o desenvolvimento completo do projeto executivo compatibilizado, esse valor foi reduzido para aproximadamente R$ 50 mil.
Isso representa uma economia de cerca de 37,5% apenas em materiais elétricos, sem qualquer perda de qualidade técnica ou desempenho da instalação.
É importante destacar que essa economia não foi obtida pela substituição de materiais ou pela redução de especificações.
Ela foi consequência direta de um projeto mais bem desenvolvido.
Quando a engenharia é feita com profundidade, o desperdício naturalmente diminui.
Comparativo dos resultados obtidos
| Indicador | Antes do projeto executivo | Após o projeto compatibilizado |
| Estimativa de materiais elétricos | R$ 80.000 | R$ 50.000 |
| Base dos quantitativos | Estimativas | Medições reais |
| Compatibilização entre disciplinas | Parcial | Completa |
| Interferências identificadas | Durante a obra | Durante o projeto |
| Economia obtida | — | 37,5% |
Os números demonstram que um projeto executivo bem elaborado não representa apenas um custo adicional no empreendimento. Pelo contrário, ele pode gerar um retorno financeiro significativo antes mesmo do início da execução.
Economia que vai muito além da lista de materiais
Embora a redução nos materiais tenha sido expressiva, ela não foi o único benefício.
Quem acompanha obras de saneamento sabe que o maior custo normalmente não está no cabo elétrico ou no eletroduto.
Os maiores impactos financeiros aparecem quando uma equipe precisa interromper suas atividades porque surgiu uma interferência inesperada.
Isso pode acontecer quando:
- um eletroduto colide com uma tubulação;
- um painel precisa ser reposicionado por falta de espaço para manutenção;
- uma eletrocalha interfere em uma estrutura de concreto;
- instrumentos precisam ser reinstalados devido a incompatibilidades de projeto;
- materiais adicionais precisam ser adquiridos durante a execução.
Cada uma dessas situações gera retrabalho, mobilização de equipes, compras emergenciais e atrasos no cronograma.
Ao entregar um projeto executivo compatibilizado em BIM, grande parte desses problemas deixa de existir.
O eletricista chega ao campo sabendo exatamente onde instalar cada infraestrutura.
Os montadores conhecem previamente os caminhos dos cabos.
Os painéis possuem posições definidas.
Os detalhes construtivos já foram estudados pela engenharia.
Até mesmo elementos simples, como suportes, chumbadores, parafusos, porcas e sistemas de fixação, podem ser previamente quantificados.
Essa previsibilidade melhora significativamente a produtividade da equipe e proporciona maior controle sobre os custos da obra.
Mais segurança para a construtora durante a execução
Outro benefício importante obtido com o desenvolvimento do projeto executivo compatibilizado foi a redução dos riscos durante a execução da obra.
Quando o projeto executivo é incompleto, diversas decisões acabam sendo tomadas diretamente no campo pelo encarregado, eletricista ou montador.
Embora esses profissionais possuam ampla experiência prática, nem sempre dispõem de todas as informações necessárias para tomar decisões de engenharia que impactam o desempenho futuro da estação.
Com um projeto executivo detalhado, essas decisões deixam de depender da interpretação da equipe de montagem.
Toda a lógica elétrica, os diagramas, os encaminhamentos da infraestrutura, os detalhes construtivos e os quantitativos já foram previamente analisados pela engenharia.
Isso reduz dúvidas, evita erros de interpretação e proporciona maior segurança para todos os envolvidos na execução.
Além disso, a construtora passa a ter muito mais previsibilidade sobre custos, cronograma e produtividade das equipes.
Integração entre disciplinas: um dos maiores benefícios do BIM
Outro diferencial da modelagem BIM é a compatibilização entre disciplinas.
Em uma obra de saneamento convivem simultaneamente:
- estrutura de concreto;
- tubulações hidráulicas;
- equipamentos eletromecânicos;
- instalações elétricas;
- instrumentação;
- automação;
- sistemas supervisórios.
Quando cada disciplina trabalha de forma isolada, as interferências normalmente aparecem apenas durante a obra.
No BIM, essas incompatibilidades são identificadas ainda durante o desenvolvimento do projeto.
Essa antecipação permite que os conflitos sejam resolvidos antes da mobilização das equipes, reduzindo adaptações improvisadas e aumentando significativamente a qualidade da execução.
Principais ganhos obtidos com a compatibilização
| Benefício | Impacto para a obra |
| Compatibilização entre disciplinas | Redução de interferências |
| Quantitativos precisos | Melhor controle de custos |
| Definição prévia da infraestrutura | Menos alterações em campo |
| Planejamento da montagem | Maior produtividade |
| Integração entre fabricantes | Operação mais confiável |
| Informações centralizadas | Mais segurança para execução |
Esses benefícios não se limitam à fase de implantação.
Eles também facilitam futuras ampliações, manutenções e intervenções na estação, proporcionando maior confiabilidade durante toda a vida útil do empreendimento.
Projeto executivo não é custo. É investimento.
Investir em um projeto executivo em BIM significa reduzir riscos, controlar custos e aumentar a eficiência da obra. Ainda existe a percepção de que investir em um projeto executivo representa apenas mais uma despesa para a obra.
Nossa experiência demonstra exatamente o contrário.
Um projeto executivo compatibilizado permite:
- reduzir desperdícios de materiais;
- minimizar retrabalhos;
- aumentar a produtividade das equipes;
- melhorar a previsibilidade do cronograma;
- controlar quantitativos com maior precisão;
- reduzir riscos durante a execução;
- facilitar o comissionamento e o início da operação.
No case apresentado neste artigo, apenas a redução obtida na lista de materiais elétricos já representou um retorno superior ao investimento realizado no desenvolvimento do projeto.
Quando também são considerados os custos evitados com paralisações, adaptações em campo, horas improdutivas e atrasos no cronograma, esse retorno torna-se ainda mais significativo.
A engenharia deixa de atuar apenas como uma etapa de projeto e passa a contribuir diretamente para o desempenho financeiro do empreendimento.
O que essa experiência reforçou para a Tecnivolt
Na Tecnivolt, cada projeto executivo em BIM é desenvolvido com foco na execução, na integração entre disciplinas e na redução de retrabalhos. Acreditamos que a engenharia deve gerar valor antes mesmo do início da obra.
Por isso, nossos projetos elétricos, projetos de automação e projetos desenvolvidos em BIM têm como objetivo proporcionar uma execução mais eficiente, reduzir desperdícios e aumentar a confiabilidade dos sistemas.
Utilizamos a modelagem BIM não apenas para criar modelos tridimensionais, mas para entregar informações consistentes que auxiliem construtoras, projetistas e equipes de campo durante todas as etapas da implantação.
A tecnologia é importante, mas o que realmente faz a diferença é a engenharia aplicada por trás dela.
Quando projeto, automação, instrumentação e modelagem trabalham de forma integrada, os resultados aparecem em menos desperdício, maior produtividade e economia real para o cliente.
A experiência dessa obra reforçou exatamente essa convicção: um bom projeto não representa apenas uma etapa do empreendimento. Ele é um investimento que começa a gerar retorno antes mesmo do primeiro cabo ser lançado e continua agregando valor durante toda a execução e operação da estação.

Perguntas frequentes (FAQ)
O que é um projeto executivo compatibilizado?
É um projeto que integra todas as disciplinas da obra, como elétrica, automação, instrumentação, estrutura e hidráulica, reduzindo interferências durante a execução.
Qual a diferença entre projeto básico e projeto executivo?
O projeto básico define o escopo para licitação e contratação. O projeto executivo detalha todas as informações necessárias para executar a obra com segurança e precisão.
O BIM realmente reduz custos em obras de saneamento?
Sim. Quando aplicado corretamente, o BIM permite identificar interferências, otimizar quantitativos e melhorar o planejamento da execução. No case apresentado, a compatibilização reduziu aproximadamente 37,5% dos custos previstos com materiais elétricos.
Em quais empreendimentos o BIM pode ser utilizado?
Além de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), a metodologia pode ser aplicada em Estações de Tratamento de Água (ETA), elevatórias, sistemas de bombeamento, plantas industriais e diversos outros empreendimentos de infraestrutura.
Considerações finais
Mais do que um recurso tecnológico, o BIM demonstrou ser uma ferramenta estratégica para transformar informações em decisões de engenharia.
Ao compatibilizar disciplinas, integrar equipamentos de diferentes fabricantes e desenvolver um projeto executivo completo, foi possível reduzir custos, aumentar a previsibilidade da obra e entregar uma solução mais segura para a construtora.
Esse case mostra que a engenharia aplicada começa muito antes da montagem em campo. Ela nasce no planejamento, evolui durante o desenvolvimento do projeto e continua gerando resultados durante toda a vida útil do empreendimento.
Para construtoras, empresas de consultoria e gestores de obras de saneamento, investir em um projeto executivo compatibilizado significa reduzir incertezas, aumentar a eficiência da execução e criar as condições necessárias para que a operação da ETE alcance o desempenho esperado desde o primeiro dia.





